Livro descreve comportamento sexual brasileiro ao longo da história

Posted on 1/16/2012 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

"Não existe pecado abaixo do Equador". A frase dos viajantes europeus data de 1500 e entrou para o folclore popular. O sociólogo Paulo Sérgio do Carmo dedicou os últimos quinze anos a montar um mosaico para provar que esta história era real. E conseguiu. O resultado é o livro Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil (editora Octavo).

A publicação descreve o comportamento sexual brasileiro ao longo da história, começando com a chegada dos portugueses que encontraram uma multidão de mulheres peladas e acessíveis. Os maridos não se importavam se elas se divertissem e ainda ofereciam ninfetas da tribo para quem era bom de bico. Com tanta fartura, o resto foi consequência. A sacanagem está em nossa origem social.



Padre Anchieta foi um dos primeiros a perceber a sacanagem em terras brasileiras. Ele observou que não existia prostituição e nem precisava. A liberdade sexual era de fazer inveja a qualquer hippie. O padre notou que o índio quando estava com vontade de fazer sexo, não se apertava. Pegava a primeira dona pela frente, "podendo ser velha ou nova, ainda que não muito a seu gosto", pois ele tinha "quase por certo que teria depois outras". O senhor de engenho Gabriel Sorares de Souza registrou em 1569 que "os tupinambás são tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que não cometam, chegando em alguns casos a não respeitar as irmãs e tias, dormindo com elas pelos matos". Coisa de louco!



Índios sem pudor


Para povoar um país vasto como o Brasil, Portugal mandou para cá os renegados. Todo tipo de criminoso. Os caras chegavam aqui para cumprir pena e tinham como punição se divertir com centenas de mulheres, comida farta e praias paradisíacas. Quase ninguém reclamava. Sem contar os que deixavam as famílias em Portugal e descobriam nas índias uma fonte inesgotável de prazeres sexuais. Estes homens viraram uma fábrica de mamelucos - filhos de brancos com índias. Os portugueses viam semelhança da índia com a moura, com a vantagem de a índia não ser arisca. "Por qualquer bugiganga ou caco de espelho estavam se entregando aos caraíbas gulosos de mulher", relata um observador da época. O contato com as índias era facilitado pelos próprios pais, que ofereciam as filhas aos brancos "a troco de qualquer ninharia", arremata o mesmo narrador.



Fúria das chifrudas


Com a vinda dos escravos negros, os senhores passaram a usar e abusar das negrinhas bonitas. O que poucos sabem é que além de ser abusadas pelos senhores, as negrinhas de "rijos peitos e belos dentes" sofriam verdadeiras atrocidades por ciúme praticadas pelas mulheres destes senhores, quase sempre portuguesas feias, porque as bonitas ficavam em Portugal. Eram comuns os casos de mutilações, extirpações, deformações nas regiões com poder de sedução como as nádegas, dentes, orelhas e faces. José Alípio Goulart relata o caso de um senhor que elogiou os olhos de sua escrava e a mulher, furiosa de ciúme, mandou arrancá-los à ponta de faca para oferecer ao marido numa bandeja de prata no jantar. Outra quebrou os dentes de uma escrava com o salto das botas, queimou a cara e as orelhas por ela ser elogiada pelo marido. Apesar desta fúria doméstica, os maridos não queriam nem saber.



As relações ilícitas entre homens casados e suas cativas é um longo capítulo da história do Brasil que pode ser conferido pela grande população mulata na colônia e mesmo no império, com um resultado cromático que pode ser observado ainda hoje.